Villa Nova

Desde quando sou villanovense

Por Jairo Gomes - Nova Lima

Sou morador de Belo Horizonte e comecei a me interessar pelo Villa Nova desde que estive no Estádio Independência, em Belo Horizonte, para assistir a decisão do Campeonato Mineiro em 1951, em que o Leão do Bonfim conquistou, brilhantemente, o título, em uma tarde muito chuvosa. Foi aí que eu me tornei um torcedor até certo ponto fanático. Passei a colecionar tudo que saía em jornais e revistas a respeito do Villa Nova, chegando a montar um imenso acervo, sempre crescente, até os dias atuais. Havia uma curiosidade sobre os acontecimentos do clube, a partir de sua fundação. Passei a manter contatos com os dois fundadores que ainda estavam vivos: o Gute Melo, pai do Oswaldo Melo, que dá nome à Rodoviária Municipal de Nova Lima, fundador da Transportadora Asa Branca, e o Sr. Fernando Anacleto. Passei a conhecer toda a história do Villa Nova com mais profundidade.


Maior rivalidade: até o início da década de 50, o grande clássico do futebol mineiro, que enchia os estádios, era o Villa Nova versus Atlético. A mesma rivalidade hoje existente entre Atlético e Cruzeiro. Daí o interesse da mídia esportiva em dar notícias do Villa Nova, até mesmo de seus treinamentos.


Morro Velho: até 1953 os empregados da Mineradora Morro Velho eram obrigados a assinar a proposta de sócios do Villa Nova com desconto da mensalidade, na folha de pagamento. O Villa tinha uma receita satisfatória. Mas, depois que a empresa passou a ser comandada por um grupo de empresários brasileiros, e o grande desportista Cecil Jones – que chegou inclusive a ser prefeito de Nova Lima de 1955 a 1959 e de 1967 a 1971 - deixou a Superintendência, esse apoio da empresa passou a não mais existir. Depois disso, esporadicamente, a Morro Velho concedia algum tipo de apoio ao clube nova-limense.


Dificuldades financeiras: para complicar ainda mais, a partir de 1954, a FMF e a então CBD (atual CBF) proibiram que os sócios dos clubes entrassem de graça em seus jogos. Com isso, o Villa Nova perdeu um grande número de associados, passando a enfrentar dificuldades financeiras. Tanto é verdade que, em 04 de março de 1954, o Villa negociou o passe do ponteiro esquerdo Escurinho, ao Fluminense, por 800 mil cruzeiros, e o próprio Villa exigiu que o pagamento fosse em 10 parcelas e não à vista como desejava o Fluminense. Isso porque sabiam das dificuldades mensais que passariam a ter que enfrentar. O Escurinho, antes de ser negociado, ainda jogando pelo Villa Nova, foi convocado para a Seleção Brasileira, para a Copa de 1954, na Suíça. O técnico da Seleção, Zezé Moreira, era também técnico do Fluminense. Quando ele viu o desempenho surpreendente de Escurinho, na Seleção, ele arranjou um meio de dispensá-lo alegando foco dentário. Foi só o Fluminense adquirir seu passe que ele foi novamente convocado para a Seleção. Foi titular absoluto do Fluminense por 13 anos, com Telê Santana na ponta direita.

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